JUSTIÇA SOCIAL e LÍNGUA MATERNA

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Justiça social é um conceito muito difundido nos últimos tempos. E eu descobri que dia 21 de fevereiro, além do Dia da Justiça Social é também o Dia da Língua materna. Mas… por que estou tentando juntar aqui esses dois conceitos?  

Aqui no nosso blog sempre falamos de surdez, da comunidade surda e de acessibilidade comunicacional para os surdos. E para falar de Justiça social com referência a esses cidadãos faz-se necessário falar da aceitação e do respeito à língua materna do surdo.

O surdo considera isso tão importante que costuma falar que só se sente aceito, só entende que há verdadeira promoção de inclusão social, pelo uso e difusão da sua língua materna.

Vem comigo, entender do que estou falando.

O que é Justiça Social.

Como qualquer outro conceito, esse também é resultado de uma convenção, um pacto, um acordo, uma construção do ideário social, amplamente compartilhado até que seja validado e passe a ser corriqueiramente utilizado por todos, na sociedade.   

O conceito de Justiça social tem a ver com a moral e a política. É uma tentativa de definir uma maneira, considerada correta pela maioria da população, de manter as relações sociais positivas, amenizando ou erradicando os efeitos maléficos causados pela chamada desigualdade social.

O que é uma língua materna.

Da mesma forma, convencionou-se chamar de língua materna aquela que o indivíduo aprende primeiro. É a língua que foi usada precocemente pela mãe ou outro cuidador, para ensinar os rudimentos, a estrutura inicial da comunicação.

Para os surdos a língua de sinais, por seu caráter visual e espacial, é a mais natural. É aquela que é mais facilmente dominada, desde que receba essa estimulação visual que estrutura o seu pensamento e fomenta a comunicação.

Aqui no blog nós defendemos que se o bebê surdo aprender Libras, ele começará a entender o mundo ao seu redor. Isso favorece o aprendizado posterior da língua portuguesa como segunda língua, na modalidade escrita. Entretanto Libras seguirá sendo a sua língua materna.

Respeitar a língua materna de um povo já é indício de Justiça social.

Os caminhos da Justiça social passam pela equidade, pela garantia do acesso aos direitos comuns a todos. Para que isso se torne uma realidade é necessário observar a lógica de que para haver direitos iguais é preciso que sejam contempladas as diferentes necessidades individuais.

Mesmo quando falamos de igualdade de raça, gênero, orientação sexual etc. não é igualdade que estamos defendendo e sim equidade.

Combater as desigualdades Sociais não é tarefa fácil.

Entretanto sabemos que é possível, basta querer. Para isso é preciso derrubar a mais danosa de todas as barreiras, que chamamos de barreira atitudinal. 

Óbvio que boas políticas públicas são necessárias e bem-vindas. Porém, nós, individualmente, podemos dar nossa preciosa contribuição.

Podemos começar por entender que estamos cometendo uma iniquidade quando rejeitamos a língua materna do surdo. Fazemos isso de forma até inconsciente quando a qualificamos como linguagem. Isso a classifica como menos relevante que nossa própria língua. Afinal, jamais nos referimos ao português como linguagem, não é mesmo?

Que tal começar ajudar a combater as desigualdades sociais? Comece aceitando e defendendo a língua materna dos surdos. A signumWeb apoia essa ideia.

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