LIBRAS: uma língua ágrafa, por enquanto. Saiba mais! LIBRAS: uma língua ágrafa, por enquanto. Saiba mais!

Libras: uma língua ágrafa, por enquanto. Saiba mais!

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LIBRAS: uma língua ágrafa, por enquanto. Saiba mais!

Aqui no nosso blog sempre falamos sobre Libras – a Língua Brasileira de Sinais… Pela qual somos apaixonados. Ela é uma língua ÁGRAFA, por enquanto, pois sua grafia/escrita ainda está em construção. Mas o que é uma língua ágrafa? Saiba mais:

LIBRAS: uma língua ágrafa, por enquanto. Saiba mais!
Imagem: Reprodução/UFRGS

Provavelmente você já ouviu falar do TUPI, uma língua que se perdeu no tempo e caiu em desuso. Principalmente por ser uma língua ágrafa, ou seja, sem registro gráfico, sem a escrita. Era uma língua falada pelo povo tupi-guarani, que habitava o litoral brasileiro no século XVI. E que desapareceu no final do século XVII, quando foi gradativamente substituída pela língua portuguesa.

O Tupi era a língua materna das tribos indígenas, a língua do Brasil colônia, usada pelos tupinambás, tupiniquins, caetés, tamoios, tabajaras e potiguaras, entre outros. Os portugueses tentavam aprendê-la. Especialmente os bandeirantes, que tinham contato com esses nativos nas suas expedições e desejavam dominá-los. Em 1758, o Marques de Pombal proibiu seu uso no Brasil. E ela terminou sobrevivendo quase que somente nos nomes de diversos dos nossos animais e plantas. Essa língua diferia em muito do português. Ela não apresentava artigos, por exemplo, e não havia flexões de gênero e número. Sua estrutura frasal, semelhantemente à Libras, se aproximava mais do inglês do que do português.

Na verdade, há registros de tentativas de aportuguesar o Tupi e de construir a sua escrita, sua grafia. O que, obviamente, não deu certo. Mas não somos especialistas no Tupi. Conhecemos apenas o que pesquisamos superficialmente, para confirmar sua condição de língua ágrafa… Para atestar o seu desuso, seu desaparecimento em todo o território nacional. O Tupi, enfim, jamais chegou a ser reconhecido como língua oficial em nosso país.

Libras: língua oficial da comunidade surda do brasil

Com Libras, a história é um pouco diferente! Ela é a segunda língua oficial brasileira, usada e difundida nacionalmente. Sua grafia está em construção. Alguns estudiosos já se dedicam a essa difícil, mas promissora missão. Como o português, a Libras é uma língua viva, em movimento. Ambas receberam e continuam recebendo influências de diversas outras, especialmente nessa era da globalização. Em que palavras estrangeiras estão a todo momento entrando em nosso vocabulário.

Falando especialmente da Libras, na sua origem identificamos as línguas italiana e francesa de sinais, mas não somente essas. Isso posto, podemos concluir que cada país possui a sua própria língua de sinais, derrubando definitivamente a ideia errada de que a língua de sinais é universal. Voltando à questão da grafia, isso já está em estudo há muitos anos nos Estados Unidos, por exemplo, onde usam a SignWriting. No Brasil, ainda estamos caminhando, mas já temos estudos realizados e livros publicados sobre o tema.

Língua ágrafa, com grafia em construção

As próximas gerações de surdos terão acesso mais fácil a esse material. Estamos aguardando com grande expectativa. É a garantia de que Libras jamais desaparecerá, jamais cairá em desuso. Mesmos que surjam loucos suficientes para tentar proibir ou impedir o seu uso largo e irrestrito. A grafia da Língua Brasileira de Sinais está em andamento. Os primeiros passos estão sendo dados, permitindo que no futuro os alunos surdos sejam capazes de ler e escrever em sua própria língua. Acreditamos que isso contribuirá para que melhore o desenvolvimento cognitivo desses aprendizes, favorecendo a sua leitura de mundo.

Obviamente que o português jamais deverá ser desprezado. É muito importante seu aprendizado na modalidade escrita e, também na falada, para os surdos que conseguem oralizar. O ideal é que todos nós, surdos e ouvintes, nos tornemos bilíngues… Aprendendo desde cedo nossas duas línguas oficiais. É o desejo da SignumWeb. Que sejam ambas grafadas! Por que não?

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