Linguagem de sinais – Porque não é correto usar essa expressão.

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É comum ouvir pessoas se referindo à Libras usando o termo linguagem de sinais, ao invés de Língua de Sinais. Ajudaremos você a compreender melhor essa questão.

Para começar, precisamos entender que Língua e Linguagem não são sinônimos.

Vamos às definições, para esclarecer melhor esses conceitos e facilitar a distinção.

O termo linguagem se refere à capacidade que o ser humano tem de produzir e desenvolver informações. Por sua vez, a língua é um veículo de comunicação. Ela é usada para expressar o que é produzido pela linguagem.

Fica claro, portanto, que a língua é um conjunto de elementos organizados. É ela que torna possível a comunicação. Entretanto, ela não é o único meio de expressão da linguagem.

É interessante pensar que a língua está contida na linguagem. Mas ela não contém em si mesma, todas as funções que a linguagem permite. É possível afirmar, por exemplo, que a pintura, a música, a dança, as mímicas e demais expressões, são formas de linguagem.

Leia todo o post, para saber mais sobre esse assunto.

Mas por que Libras é confundida com linguagem de sinais?

Você dificilmente ouvirá alguém usar a expressão linguagem portuguesa, ao invés de língua portuguesa. Mas certamente escuta muita gente falar linguagem de sinais. Essa confusão em relação à língua de sinais acontece porque ela ainda é muito pouco conhecida.

As pessoas acreditam que uma forma de comunicação gestual, que não utiliza a modalidade oral e auditiva, é linguagem. Assim ela se relacionaria mais com a capacidade criativa da comunicação do que com as definições do que de fato seja uma língua.

Na verdade isso é preconceito linguístico. Mas no contexto da surdez, o preconceito não se resume apenas à distinção entre língua e linguagem.

Um exemplo disso é que alguns se referem aos professores e intérpretes de Libras como pessoas que desenvolvem um trabalho lindo. Uma atividade exercida por amor, para ajudar as pessoas surdas. Comentários desse tipo revelam um sentimento de caridade completamente desnecessário.

Aprender e usar a língua de sinais é uma opção. Assim como podemos fazer um curso de inglês e usar esse idioma. Todavia, boa parte da sociedade ainda acredita que a surdez é incapacitante. E, por isso, os surdos precisariam da nossa caridade. Até mesmo para se comunicar. Algo completamente sem propósito.  

Afinal qual é a função da língua e qual a função da linguagem?

Já entendemos que a linguagem é um conceito mais amplo. É a capacidade humana de produção de diferentes sistemas de comunicação. Agora podemos finalmente descartar a possibilidade de Libras ser linguagem de sinais.

A partir dos conceitos estabelecidos, surge a compreensão de que língua e linguagem se relacionam. Mas não são a mesma coisa. A função de cada uma precisa ser entendida com clareza .

Podemos dizer que a língua tem a função de externar o que a linguagem produz. No entanto é necessário repetir que ela não é a única forma de expressão da linguagem.

Libras pode e deve ser entendida como uma língua. Ela é um conjunto de elementos estruturados, com finalidade de possibilitar a comunicação. Assim como acontece com os demais idiomas,

Libras tem estrutura gramatical diferente da língua portuguesa

Continuemos no processo de esclarecimento desses conceitos linguísticos. Aqui convidamos você a entender como o usuário da língua de sinais consegue organizar o seu pensamento. Ele é externado através de uma estrutura gramatical e de uma modalidade totalmente distinta da língua portuguesa.

Desde o seu nascimento os ouvintes estão imersos em um ambiente linguístico favorável. É natural que os estímulos auditivos provoquem a repetição e a fixação dos sons. Essas crianças vão se desenvolvendo e aprendendo contextos novos, onde usarão as novas palavras aprendidas.

Com os surdos o processo fica limitado. A maioria dos deficientes auditivos nascem em famílias ouvintes. Nesse ambiente os estímulos sonoros não farão sentido para ela. Não contribuirão para o entendimento dos sons das palavras.

As pessoas com esse tipo de deficiência rapidamente percebem que existe uma comunicação organizada. Uma língua sinalizada, de fácil compreensão. Ao ser apresentado à língua de sinais, elas entendem que é possível se expressar com mais liberdade.

A organização do pensamento é a mesma para surdos e ouvintes. Entretanto, ao entrar em contato com suas respectivas línguas naturais a compreensão flui espontaneamente.

A Língua de sinais é de modalidade gestual e visual

A Língua dos surdos costuma causar estranhamento e atrair olhares curiosos. Contudo, a Libras é uma língua completa, com estrutura e gramática próprias. Ela cumpre a função comunicativa de forma eficiente. O fato de ser de modalidade visual e espacial não a torna menos eficaz do que as línguas orais.

As línguas de sinais ainda são ignoradas. Isso porque foram reconhecidas, por lei, há muito pouco tempo. A cidadão surdo ainda tem um longo caminho a percorrer, no sentido levar informações coerentes acerca de sua língua.

É importante lutar pelos direitos, em especial o direito à comunicação. É importante mostrar à sociedade que  Libras é apenas uma língua diferente da língua portuguesa. Mas igualmente eficaz no seu papel comunicativo.

A necessidade de reafirmar Libras como uma língua é urgente

Falar sobre Libras é levar conhecimento. E reafirmar o seu status. É promover cultura e despertar a empatia.

A luta dos surdos precisa continuar. A comunidade surda será reconhecida e respeitada. Isso acontecerá à medida que a língua de sinais se tornar corretamente conhecida.

Agora que você já sabe, dê sua preciosa contribuição. Curta e compartilhe este texto e entre em contato com a SignumWeb. Saiba como promover acessibilidade comunicacional entre surdos e ouvinte.

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