O capacitismo e o respeito à pessoa com deficiência.

6 minutos para ler

Você sabe o que é capacitismo? Trata-se da discriminação velada, consciente ou não, contra pessoas com algum tipo de deficiência.

E como será que isso se manifesta na sociedade? Se revelam em algumas atitudes, aparentemente inocentes e bem-intencionadas. Elas estão baseadas na noção de que a pessoa com deficiência não se enquadra nos padrões socialmente aceitos. São conceitos construídos no inconsciente coletivo. Dessa forma, a sociedade passa a creditar que as PcDs precisariam ser normalizadas.

O capacitista acredita que corpo humano precisa funcionar de forma perfeita. Ou seja, somente assim poderia se encaixar, se enquadrar como “normal”. Assim sendo, tudo que escapa da norma deve ser corrigido ou superado. Isso vem sendo discutido como uma prática que precisa ser combatida.

Mas será que isso acontece com frequência? Será que a nossa sociedade é capacitista? Sim, com certeza! É mais comum do que imaginamos. Sempre encontraremos alguém tentando suprir uma carência da pessoa com deficiência. Entretanto tal carência nem sempre existe. Ela está presente somente no imaginário do capacitista.

 Leia o post e reflita sobre esse assunto.

O capacitismo é um desrespeito à diversidade.

É preciso reconhecer que as pessoas com algum tipo de deficiência têm potencial. Afinal, ela consegue realizar sozinha muitas das atividades da vida diária. Isso é essencial para que a diversidade seja respeitada. Enfim, para acabarmos com o preconceito e a discriminação.

Na maioria das vezes as pessoas se sensibilizam mesmo e desejam ajudar. Logo, elas agem com a melhor das boas intenções.  Mas, infelizmente, estão baseadas em informações pré concebidas de que o PCD é incapaz. Ele seria uma pessoa limitada e dependente. Assim elas atuam por ele, em situações dispensáveis.

Exemplos disso é quando perguntam ao acompanhante de um cego o que ele deseja. Ou quando ajudam um cadeirante a subir uma rampa, mesmo que sua cadeira seja motorizada. Isso às vezes acontece, mesmo que não tenha sido solicitada qualquer tipo de ajuda.

Observe se você já se viu praticando ou se já presenciou pessoas repetindo esse tipo de ação. Elas revelam um exame apressado e sem fundamento contra as pessoas com deficiência. Revelam a noção equivocada de que elas são totalmente dependentes da ajuda de terceiros.

Mesmo que isso aconteça de forma velada, mesmo que inconscientemente, precisamos tentar superar, combater.

Incluir e empoderar é a tendência do momento.

Se desejamos praticar a inclusão social e iniciar o processo de empoderamento das pessoas com deficiência, precisamos repensar. E estar atentos às informações erradas que ainda circulam por aí sobre os PcDs. E é preciso evitar que nós mesmos pratiquemos essas atitudes nocivas.

Precisamos disseminar somente aquilo que condiz com a realidade de vida das pessoas com deficiência. Informações incorretas e deturpadas podem levar as pessoas a se referirem às PcDs de forma pejorativa. Mesmo sem desejar fazê-lo.

Embora bem-intencionado o capacitista demonstra falta de respeito e de reconhecimento do potencial do cidadão com algum tipo de deficiência. Isso incomoda, chateia, entristece. Mas, por educação a pessoa com deficiência por vezes termina se calando.

Já parou para pensar que podemos aprender muito sobre potencial humano, para grandes realizações, apenas observando como as pessoas com deficiência se viram no dia a dia? É surpreendente como podem se revelar autônomas e independentes.

Uma sociedade mais justa e inclusiva abraça a todos, entendendo que a diversidade enriquece as relações humanas.

05 comentários e/ou atitudes capacitistas.

  1. Coitadinho, ele é aleijado.

Será que é coitadinho mesmo? Baseado em que as pessoas se referem assim às pessoas com deficiência física? Afinal, uma pessoa sem nenhuma deficiência aparente pode ser mais coitadinha que ele. Pelos mais diversos motivos ou carências, não é mesmo?

2. Ela é tão linda… que pena que é cega.

As pessoas afirmam isso sem refletir. Sem fazer uma análise daquilo que está exprimindo por meio de palavras. Então, se fosse feia não seria uma pena? É risível essa afirmação, mas as pessoas seguem falando, sem se dar conta disso

3. Que triste ver o mudinho tentando falar.

Será que está se referindo ao mudo, pessoa que não tem como usar suas cordas vocais e todo o seu aparelho fonador? Ainda assim seria pejorativo usar a expressão mudinho.

Se for em relação ao surdo, está duplamente errado. O surdo não é mudo. É só surdo mesmo! Além disso o surdo fala. Seja oralizando mesmo, seja por meio da língua de sinais.

O uso da forma diminutiva para se referir a qualquer pessoa com deficiência é realmente desagradável. O certo é que devemos evitar isso.

Atitudes aparentemente inocentes, mas que revelam capacitismo.

4. Falar sobre a pessoa com deficiência como se ela não estivesse presente.

Falar pela pessoa com deficiência ou se dirigir ao seu acompanhante ignorando a sua presença. Isso é algo realmente complicado.

Entenda que a pessoa pode decidir por si mesma. A deficiência dela é só numa área da vida e não total. E se for total haverá um tutor legal.  Nesse caso responderá por ela, defendendo os seus interesses.

5. Ajudar a pessoa com deficiência a atravessar a rua sem que tenha solicitado.

Já lemos relatos que até parecem engraçados, nas não são. Por exemplo, de alguém que puxou a mão de um cego para atravessar uma rua. Na verdade, o cego estava parado, aguardando um amigo. Eles seguiriam juntos, só que em outra direção.  

A orientação é abordar gentilmente. É perguntar se a pessoa precisa ou deseja algum tipo de ajuda.

É preciso falar mais sobre isso.

Falar sobre capacitismo é desmistificar o tema. É levar conhecimentos corretos para a sociedade. É despertar a empatia e agir de forma adequada. Em síntese, é reconhecer e respeitar as pessoas com deficiência.

Agora que você já sabe, dê sua preciosa contribuição. Curta e compartilhe esse texto. Isso ajudará a conscientizar as pessoas. E, finalmente, a combater o capacitismo.

Posts relacionados

Um comentário em “O capacitismo e o respeito à pessoa com deficiência.

Deixe um comentário