Bebê surdo X bebê ouvinte: como eles aprendem a falar Bebê surdo X bebê ouvinte: como eles aprendem a falar

Bebê surdo X bebê ouvinte: como eles aprendem a falar?

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Você já parou para pensar como se dá a interação comunicativa entre uma mãe e seu bebê surdo? Se não convivemos com a surdez, raramente paramos para pensar que o processo de aprendizado da criança que nasce surda – ou perde muito cedo a audição – é bem complicado. Isso acontece simplesmente porque ela está, total ou parcialmente, privada da audição. Bebê surdo X bebê ouvinte: como eles aprendem a falar?

Bebê surdo X bebê ouvinte: como eles aprendem a falar
Imagem: Creative Commons

O bebê ouvinte recebe estímulos sonoros desde o ventre. Ao nascer, rapidamente reconhece a voz da mãe, passando a distingui-la de outras vozes. E reage positivamente. Ele reage também a variados sons e movimenta o corpo para a fonte do ruído. O bebê surdo, especialmente se a surdez for entre moderada e profunda, apreende o mundo pela visão, prioritariamente. Ele reage ao ver a fisionomia materna e o cheiro da mãe se torna rapidamente familiar.

O mundo dos sons promove um aprendizado involuntário ao bebê ouvinte. A assimilação dos conteúdos é espontânea. Para o bebê surdo, o mesmo aprendizado demandará grande investimento, envolvendo uma intencionalidade e esforço dos responsáveis pela sua formação. Ao nascerem, os dois são igualmente capazes de aprender. Seus aparatos cognitivos são igualmente funcionais e eficientes para tal. O que determina, então, que o aprendizado de um fique comprometido em relação ao outro? Seria culpa da deficiência auditiva? Ou poderíamos falar da incapacidade do cuidador de acessar os processos cognitivos do surdo e de estimular o aprendizado pelo canal visual intacto?

Bebê surdo X bebê ouvinte

Todo o estímulo auditivo direcionado ao primeiro bebê poderia e deveria ser vertido em estímulo visual para o segundo, inclusive ensinando a “balbuciar” uma língua viso-espacial. No nosso caso, a Libras – Língua Brasileira de Sinais. Ao invés disso, o bebê surdo é deixado de lado ou, pelo contrário, estimulado para que seja “normalizado” através da oralização. A oralização pode ser bem-vinda, sim! Mas não se deve negligenciar o estímulo necessário para que o bebê surdo interprete o mundo visualmente.

Segundo estudos, sem estímulos adequados, a criança surda, aos 5 anos de idade, terá um vocabulário que gira em torno de 50 palavras. Enquanto que a criança ouvinte, na mesma faixa etária, já dominará em torno de 3000 palavras. Ao nascerem, ambas tinham igual potencial gramatical. Mas só floresceu naquelas que receberam estímulos naturais.

Desenvolvimento da linguagem da criança

Isso nos leva a pensar em qual seria a língua natural do surdo. Crianças surdas que aprendem precocemente a sua língua materna, dificilmente apresentarão déficit cognitivo. Elas terão maiores chances de, futuramente, atuar no mercado de trabalho… Com menos desigualdades, pois aprenderam a simbolizar o mundo e a dar significados para o que acontece em seu entorno.

Todo o desenvolvimento da criança está atrelado ao desenvolvimento da linguagem e das diversas formas de comunicação. A primeira infância é o período mais favorável. A criança surda, sendo privada disso, levará para a vida o estigma de deficiente. Ao se tornar adulto, o ouvinte que a avaliará dificilmente será capaz de entender porque esse surdo não se comunica adequadamente. O objetivo da SignumWeb é provocar essa reflexão!

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