Quem é o surdo e como entender o seu mundo silencioso.

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Você Já tentou entender quem é o surdo? Já parou pensar na experiência de viver num mundo silencioso? Afinal, como é ser surdo numa sociedade de ouvintes, onde a comunicação se dá prioritariamente através de uma língua oral auditiva?

Convido você a vedar totalmente os ouvidos e transitar uma manhã pela cidade. Ou então simplesmente tente imaginar essa vivência. Como você lidaria com os perigos, por exemplo, já que somos alertados pelo canal auditivo? Como você faria a interação com as pessoas, já que não conseguiria entender o que dizem?

Na verdade, em algumas situações seria bem legal e até divertido possuir um botão de liga-desliga. Dessa forma poderíamos usar o sentido da audição, conforme nossos interesses. Isso porque há sons desagradáveis que melhor seria não os ouvir. Concorda?

Venha comigo e vamos entender um pouco mais sobre isso.

Quem é o surdo para a ciência?

Há várias formas pelas quais a ciência aborda ou define o surdo e a surdez. Uma delas é do ponto de vista neurossensorial. Por exemplo, quando acontece uma lesão nos nervos auditivos. Eles são responsáveis por levarem os impulsos auditivos até ao cérebro, onde serão decodificados. Do ponto de vista da medicina, podemos falar de anacusia, disacusia, hipoacusia. Tudo isso para explicar que a pessoa sofreu a perda ou redução da sua capacidade auditiva.

Ocorre que dentro desse conceito cabe uma infinidade de possibilidades. Tanto com relação ao grau de perda, quanto à capacidade de lidar com o fenômeno em si. Da mesma forma é relevante saber em que momento o fenômeno aconteceu.

O bebê surdo

O bebê pode nascer surdo por questões genéticas ou por doenças como a rubéola. Doenças contraídas pela mãe durante a gestação. Além disso ele pode adquirir a surdez pelo uso excessivo de antibióticos, utilizados para combater infecções diversas. Do mesmo modo alguns bebês adquirem a surdez como sequela de doenças como a meningite, entre outras.

Outra questão muito importante é saber em que momento da primeira infância o fato ocorreu. Igualmente relevante é saber se o a criança já havia adquirido a fala, se já dominava o idioma materno etc. Isso determinará a condução do acompanhamento, a fim de que não perca a capacidade de oralizar, por exemplo. Em todos os casos é necessário iniciar a estimulação auditiva o mais precocemente possível. Isso também contribuirá para a preservação da capacidade de oralização.

Porém existem casos em que a família só tardiamente entenderá que o bebê é surdo. As consequências podem variar bastante.

O surdo adulto

No caso do surdo adulto, pode ser uma surdez trazida do útero materno. Contudo pode ser também uma surdez adquirida por acidentes. Alguns não sabem, por exemplo, que a exposição contínua a altos níveis de decibéis sonoros pode resultar numa indesejável surdez.

Entretanto talvez o tipo de surdez mais comum esteja ligado ao envelhecimento. Isso está implícito no processo degenerativo natural. Em outras palavras, com o passar do tempo, especialmente a partir dos 60 anos, as células auditivas vão sofrendo uma redução. Tal fato pode levar a uma perda parcial e até total da audição.

Pode até parecer engraçado quando nossos pais e avós ficam equivocados com relação às palavras parecidas que proferimos. Por exemplo, falamos faca e eles entendem vaca. Às vezes rimos juntos. Mas é preciso entender que isso provoca um sofrimento muito grande no idoso. Especialmente quando percebem nossa falta de paciência, quando pedem para repetirmos. Um dia poderemos estar em situação similar. Vale a reflexão.

O surdo pode ouvir.

Uma questão importantíssima com relação à surdez é que o surdo pode ouvir. Sim, existem surdos que ouvem. São surdos que usam, que se adaptaram aos aparelhos de amplificação sonora.

Existem aparelhos retro auriculares de última geração, altamente eficientes. São tecnologias assistivas que auxiliam na captação e amplificação dos sons. Existem também os chamados ouvidos biônicos, ou implantes cocleares. Trata-se de uma cirurgia delicada. No processo são implantados eletrodos direto na cóclea do paciente. Esses aparelhos têm o poder de captar os sons e jogá-los após os nervos auditivos lesados. O paciente precisa passar por um acompanhamento fonoaudiológico. O objetivo é treinar, ensinar o cérebro a discriminar os sons. Afinal eles chegam juntos e misturados.

Toda essa tecnologia tem seu valor. Porém é preciso respeitar a decisão do surdo. Ele pode simplesmente optar por viver no seu mundo silencioso e se comunicar por Libras. Também pode ser que não tenha condições de investir, já que se trata de um tratamento caro.

Sabemos que o SUS pode ajudar. É preciso entrar numa longa fila de espera. Mas se a opção for essa, é conveniente incentivar o surdo. O mais importante é ser feliz, seja qual for a sua escolha. Ou a escolha da família, se estivermos falando de bebês.

O surdo pode falar.

O surdo pode falar. Por isso é equivocado se referir a ele como surdomudo. Existem muitos surdos oralizados. Especialmente aqueles que, como falei acima, adquiriu tardiamente a surdez.

Mas eu não estou falando apenas da oralização. É certo que os surdos falam utilizando os sinais. No caso dos surdos do nosso país, usam a Libras – Língua Brasileira de Sinais. Sim, é uma língua igual qualquer outra. E usá-la tem a mesma conotação de falar.

Acessibilidade comunicativa para o surdo.

Para viver bem numa sociedade onde são minoria, os surdos pedem muito pouco. Eles querem compreensão, respeito e acessibilidade.

O sujeito surdo tem direitos e obrigações, como qualquer outra pessoa. Ele quer dar sua parcela de contribuição para a sociedade, seja com seus conhecimentos, seja com a sua força de trabalho.

Você quer contribuir, disseminar esse assunto? Comece compartilhando o texto. Ajude a construir um mundo mais inclusivo para o surdo.

E se quiser saber mais, é só procurar a SignumWeb. Vamos juntos?

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