Surdolimpíadas e porque os atletas surdos não participam das paralimpíadas.

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Quero falar aqui de surdolimpíadas. Mas antes é preciso lembrar que ainda estamos comemorando as medalhas conquistadas pelos atletas brasileiros, na olimpíada de Tóquio 2020. O evento foi realizado em 2021 por causa da pandemia da COVID 19.

Foram momentos de muita torcida, grande emoção e imenso orgulho. Afinal foi a nossa melhor performance de todos os tempos.

Conquistamos vinte e uma medalhas, sendo sete de ouro, seis de prata e oito de bronze. Entre elas podemos citar o surfe com Ítalo Ferreira, a canoagem de Isaquias Queiroz. Na ginástica artística brilhamos com Rebeca Fernandes. O skate nos deu dose dupla de alegria com Kelvin Hoefler e Rayssa Leal. E o que dizer do futebol masculino, do vôlei feminino e de tantas outras modalidades, como o judô, o boxe, o salto com vara? Só alegria!

Agora estamos aguardando com grande expectativa os Jogos Paralímpicos. Eles começarão no dia 24 de agosto e irão até o dia 5 de setembro. Temos orgulho dos brilhantes paratletas Daniel Dias, Ádria Santos, Terezinha Guilhermina, Clodoaldo Silva entre tantos outros.  Muita torcida para nossos paratletas, novatos ou veteranos, que participarão desses jogos.

Mas agora preciso saber se você já ouviu falar em surdolimpíadas. Aliás, trago aqui uma informação muito importante. Os Jogos surdolímpicos, acontecerão de 01 a 15 de maio de 2022 aqui no Brasil, em Caxias do Sul.

Vamos fala sobre isso? Entenda um pouca mais lendo o post.

Os atletas surdos competem em eventos multiesportivos chamados DEAFLYMPICS.

São cerca de 2.500 atletas de diversos países. Por questões relacionadas com acessibilidade comunicativa, não participam das paralimpíadas. A alegação é que ficaria caro colocar intérpretes da língua de sinais de tantos países.

Mas os surdos não se ressentem disso. Embora, na minha opinião, seja uma questão para se rever. Porém a única e recorrente reclamação dos atletas surdos é a de que precisam e merecem mais atenção e respeito. O que eles reivindicam de verdade é que haja mais incentivo e visibilidade. Creio que você concorda que não é pedir demais.

“A sociedade precisa entender e reconhecer as especificidades dos surdos no que se refere à comunicação, à questão da identidade linguística e cultural. Estar fora da Paralimpíada não prejudica nossa inclusão social, o que prejudica é a falta divulgação, incentivos financeiros e valorização dos Jogos Surdolímpicos”.

Surdolimpíadas é um evento esportivo nacional e mundial.

A Surdolimpíadas Nacional acontece a cada 02 anos. Esse ano acontecerá em São José do Campos – SP, entre os dias 04 a 07 de dezembro de 2021 e terá como mascote um lobo guará, desenhado pelo cartunista surdo Lucas Ramon. Esse é um evento organizado pela CBDS – Confederação Brasileira de Desportos de Surdos. Conta com a participação de 18 Federações e aproximadamente 700 surdoatletas, com suas equipes.

O evento mundial é organizado pelo ICSD- Comitê Internacional de Esportes para Surdos. É realizado a cada quatro anos. A Última edição aconteceu em Samsun, na Turquia. E esse ano, pela primeira vez, será num país da América Latina.

Quem são nossos surdoatletas?

Temos alguns surdoatletas no Brasil. Eles necessitam de apoio para que não desistam dos seus sonhos. É interessante saber que eles não questionam o fato de não participarem da paralimpíada. O fato é que não se consideram pessoas com deficiência no que se refere à capacidade física. São na realidade integrantes de uma comunidade, uma minoria linguística e cultural, que vêm lutando para provar seu valor. Em suma o que eles querem, e têm o direito, é ocupar os seus espaços em todas as esferas sociais.

É possível entender que a perda auditiva traz dificuldades ao surdoatleta, se for colocado para competir com ouvintes. Especialmente em esportes de equipe e até em algumas modalidades individuais. Mas o que eles desejam é serem tratados com o mesmo carinho e respeito demonstrados aos outros atletas, no nosso país.

Para concluir apresento aqui alguns nomes de surdoatletas que participaram de jogos surdolímpicos anteriores.  Na natação temos Alexsandro Grade, Jiovanna Cordeiro, Guilherme Maia. No judô já nos representaram o Heron Rodrigues da Silva e o Alexandre Soares Fernandes. Tivemos oportunidade de entrevistar o Heron e o Guilherme aqui no nosso blog.

Assim, os jogos surdolímpicos se mostram importantes, necessários. Em função disso peço seu apoio, comentando esse post e divulgado essas informações. Vamos dar a nossa preciosa colaboração.

E vamos torcer pelo nossos surdoatletas!

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