Entrevista: Raiane Gontijo Barros - fisioterapeuta surda Entrevista: Raiane Gontijo Barros - fisioterapeuta surda

Entrevista: Raiane Gontijo Barros – fisioterapeuta surda

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Raiane Oliveira Gontijo Barros tem 33 anos e é natural de Arinos – MG. Formada em Fisioterapia pela PUC Minas, ela enfrentou todas as barreiras da surdez e também é pós-graduada em Fisioterapia em Geriatria pela CMMG. Conversamos com a fisioterapeuta surda – oralizada – e trazemos a entrevista na íntegra. Confira!

Entrevista: Raiane Gontijo Barros - fisioterapeuta surda1- Conte um pouco da sua história.

Não conto tudo sobre a minha história, pois ela é enorme como um livro! (risos) Vou contar resumidamente: nasci em Arinos, que é uma cidade pequena no interior de Minas Gerais. Sou surda bilateral profunda e congênita; tenho uma irmã surda e, outro, ouvinte. No pré-escolar, até o 3º ano do Ensino Médio, não tinha intérprete de LIBRAS. No meu percurso escolar, alguns professores e colegas me ajudaram, explicando as matérias. E também minhas duas professoras me davam aula na sala de reforço.

Passei em três vestibulares no curso de Fisioterapia! Escolhi uma faculdade em Patrocínio – MG. Mas essa faculdade também não tinha intérprete durante 1 ano. Alguns colegas me ajudaram, passando anotações das explicações dos professores. Tive apoio de alguns professores que me ensinavam em outro horário. Em 2006, transferi para a PUC em Belo Horizonte, que já tem intérprete. E também tive apoio de alguns professores. Felizmente, fui esforçada e consegui realizar o sonho da formação na área da fisioterapia. Tenho orgulho de ser uma fisioterapeuta surda.

2- Como sua família lidou com a surdez?

Meus pais nunca imaginaram que teriam duas filhas surdas. Sofreram muito, porque na nossa terra não tinha informações sobre surdos nem a lei de LIBRAS. Eles lutaram muito e querem sempre o melhor para nós. Acreditam em nossa capacidade!

3- E você, como percebe a surdez? Você teve que enfrentar barreiras e preconceitos?

Eu já sofri preconceito! Prefiro não falar nada. Pois já superei meus obstáculos.

4- Como é sua relação com os pacientes e colegas de trabalho como fisioterapeuta surda?

Normal. Porém, às vezes, temos um pouco de barreiras na comunicação, pois eles não sabem usar LIBRAS. Alguns sabem um pouco da Língua Brasileira de Sinais, o que facilita para conversar comigo. Também falam devagar ou escrevem no papel. Sou oralizada, ou seja, faço leitura labial.

5- Os surdos têm revelado eficiência nos esportes, nas artes e em várias outras áreas, mas as pessoas ainda os percebem como deficientes. Comente.

Acredito que em todo o Brasil algumas pessoas reconhecem surdos que têm revelado eficiência nas várias áreas. Contudo, os jornais de TV, as revistas e outras propagandas devem continuar a divulgação disso, porque é necessário para romper o preconceito.

6- O fato de ter estudado e ter uma profissão representa uma oportunidade de ser inspiração para outros surdos?

Os surdos devem se esforçar muito para fazer o curso, estudar na faculdade e criar uma empresa.

7- Quais são os seus projetos para o futuro?

Terei meu próprio consultório para atender os pacientes surdos e ouvintes. Meu hobby é pintura em tela a óleo. Voltarei a pintar.

9- O que você acha da plataforma SignumWeb?

É excelente! O Brasil deve quebrar a barreira comunicacional entre surdos e ouvintes.

10- Qual mensagem você deixaria para os surdos?

Primeiramente, agradeço muito a Deus por ter dado meu dom! Agradeço ao meu marido pelo estímulo, pela paciência, pela confiança… E à minha família pelo apoio. Quero falar para vocês que os surdos devem ter coragem de lutar com a lei de LIBRAS para terem acessibilidade em qualquer lugar. Se não lutarmos por isso, não resolve nada e nem adianta reclamar. Pense nisso. Boa reflexão!

 

Entrevista: Raiane Gontijo Barros - fisioterapeuta surda

 

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