Setembro azul, comunidade surda e suas curiosidades.

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Neste post pretendemos apontar algumas curiosidades sobre o setembro azul. Falaremos sobre o mês e cor escolhidas pelos surdos para simbolizar suas lutas. E sobretudo para comemorar as suas vitórias ao longo da vida.

Faremos também alguns apontamentos sobre a comunidade surda e sua língua. Além de outras curiosidades sobre a surdez. O objetivo é facilitar o entendimento dos desafios enfrentados por esses nossos concidadãos. O propósito maior é apresentar as muitas potencialidades que, com razão, eles defendem que possuem.

Durante o mês de setembro as lutas dos surdos por acessibilidade e inclusão social são revisitadas. Afinal, foram séculos de exclusão social vivenciados por essa comunidade, em todo o mundo.

Não dá para ignorar que tudo isso aconteceu como consequência da barreira comunicativa. Em suma, é um mês para chamar a atenção para o fato de que os surdos viveram muito tempo às margens da sociedade. Além disso, é preciso alertar a sociedade para que nada disso volte a acontecer.

Já parou para pensar que, simplesmente pelo fato de não escutarem, também foi negado aos surdos o direito de se comunicarem? Entretanto agora eles podem levantar a voz para falar por si mesmos. Eles reivindicarem seus direitos na sociedade.

Mesmo quando essa voz se manifesta através dos gestos produzidos pelas suas mãos. Eles estão falando… Sim, falando!  

Vamos conhecer um pouco mais sobre essa história?

Aproveitamos para pedir que curtam e compartilhem esse conteúdo. Isso nos ajuda nessa missão de continuar produzindo textos relevantes sobre a surdez.,

Qual o significado do setembro azul?

Essa data é uma alusão ao Congresso de Milão, que aconteceu em setembro de 1880. Foi um momento terrível para os surdos. Afinal, foi quando um grupo de pessoas, ouvintes em sua maioria, resolveu abolir a língua de sinais.

Foi neste mês, precisamente entre 06 e 11 de setembro de 1880, que aconteceu o congresso de Milão. Foi nesse evento que foi proibido o uso da língua de sinais pelos surdos em todo o mundo. O objetivo era estimular a oralização e a leitura labial. Os ouvintes decidiram que essa era a melhor forma de comunicação para os surdos.

Nesse momento definiram que a língua oral passaria a ser utilizada na educação e no ensino de surdos. Isso afetou a forma de sociabilização desses indivíduos. Em outras palavras, trouxe consequências desastrosas até os dias de hoje. Nesse ínterim os conhecimentos, as informações relevantes deixaram de ser compartilhadas de forma eficiente para os surdos. Consequentemente fortalecendo o preconceito de que seriam incapazes de contribuir na sociedade.

Abrimos espaço para pedir que entendam que o propósito do texto não é criminalizar a oralização e sim a possibilidade de o surdo e sua família poderem escolher. Afinal, foi isso que aconteceu quando vetaram o uso da língua gesto-visual.

Por que foi escolhida essa cor para o setembro azul?

A Fita Azul é um outro símbolo da opressão enfrentada pelas pessoas surdas. Ela apareceu mais tarde, na história.  Foi introduzida em Brisbane, na Austrália, em julho de 1999, no Congresso Mundial da Federação Mundial de Surdos.

Ela é uma triste lembrança dos horrores da segunda guerra mundial. Neste capítulo da história os nazistas passaram a considerar as pessoas com deficiência seres inferiores. Para identificá-los, obrigavam-nos a usarem a fita azul em um dos braços.

Comunidade, cultura e língua dos surdos.

Como a luta precisa continuar, no Brasil os surdos têm reivindicado que respeitemos sua língua e sua cultura. Desejam que entendamos que, embora sejam brasileiros, nem todos falam ou têm um bom domínio do português, nossa língua majoritária.

Se considerarmos os conceitos de comunidade, cultura e língua entenderemos que os surdos têm razão. Eles formam uma Comunidade surda. São um grupo de indivíduos que compartilham aspectos da vida que escapam a nós ouvintes. Eles têm uma Cultura surda, ou seja, apesar de inseridos na mesma sociedade, possuem alguns conjuntos de conhecimentos, crenças e costumes diferentes dos ouvintes. Tudo isso porque possuem uma Língua de sinais. Ela é diferente. Não é oral e auditiva. é composta por regras gramaticais próprias, que expressam a mente e a cultura dos surdos.

É preciso entender que o surdo apreende e reflete o mundo principalmente através da visão. Muitos dos conceitos criados por nós ouvintes através da oralização, não são compartilhados pelos surdos. E muitas das formas com que eles constroem seus próprios conceitos e valores nós também não conseguimos alcançar.

Somos todos brasileiros sim. Contudo entre nós existem línguas, comunidades e culturas diferentes. E está tudo bem. Isso não deveria ser um problema e sim ser percebido como enriquecedor.

Precisamos aprender a respeitar Libras, uma língua linda como qualquer outra falada pelo mundo. Através dela a comunidade surda pode estudar e trabalhar, tendo a sua relação com o ouvinte intermediada por um intérprete.

Para que isso aconteça far-se-á necessário rever alguns conceitos, quebrar alguns paradigmas e preconceitos. É essencial entender, por exemplo, que a Surdez não é uma doença e sim uma condição humana, passível de ser adquirida por qualquer um de nós.

Mas nem só de azul vive o setembro.

Na verdade, temos um setembro multicor. O amarelo, pela conscientização e prevenção ao suicídio. O Verde, que nos alerta para a importância de inclusão de pessoas com deficiência e da doação de órgãos para salvar vidas. E, não menos importante, o Azul pela conscientização sobre acessibilidade para a comunidade surda.

Vamos juntos disseminar tudo isso? Pega o link e manda para pessoas que você acha que se interessará. Assim o nosso mundo será mais rico e mais divertido para todos!

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