Existe cura para a surdez?

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A cura para a surdez é um tema que vem sendo muito discutido nos meios científicos. Recentemente esse assunto ganhou espaço na mídia. Isso porque pesquisadores do MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts nos Estados Unidos, anunciaram que estão desenvolvendo um tratamento que reverte a surdez.

Trata-se de uma terapia regenerativa, em forma de medicamento, que estimula o crescimento das células ciliadas dentro da cóclea. Essas células são as verdadeiras responsáveis por levar ao cérebro os estímulos sonoros que são captados pelo sistema auditivo funcional. Para os surdos atualmente isso é tentado com o uso de aparelhos de amplificação sonora. Ou com o implante coclear, método que utiliza eletrodos para capturar os sons ambientes e jogá-los diretamente na cóclea. Como uma espécie de substituto do nervo auditivo.  Esse é um tratamento que tem se revelado uma opção viável tendo, porém, o inconveniente de ser muito caro e de exigir uma delicada intervenção cirúrgica.

O desenvolvimento dessa nova solução ficou a cargo da farmacêutica Frequency Therapeutics, entidade comandada por cientistas do MIT.  Segundo os cientistas, o tratamento está em fase de testes. Porém já mostra excelentes resultados clínicos. O prognóstico, portanto, é muito favorável e animador.

Vamos saber mais sobre esse assunto, já que ele traz em si a esperança de que o cidadão surdo tenha acesso ao mundo dos sons? Então leia o texto até o final.

A cura para a surdez sempre foi um desafio para a ciência

Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, em todo o mundo existem cerca de 2,5 bilhões de pessoas que apresentam algum grau de perda auditiva. É realmente muita gente. Isso representa um quarto da população mundial.

Acontece que até aqui os cientistas trabalharam com a premissa de que o nervo auditivo não se regenera. Porém, estudos recentes com células tronco revelou que o bebê, quando ainda está no útero materno, desenvolve células progenitoras que podem se transformar em outras células do corpo. Como no caso das células ciliadas, responsáveis pela audição.

Essa notícia é realmente animadora, não só no caso da surdez. As possibilidades em outras áreas da saúde são enormes. Mas aqui nos deteremos à essa pesquisa, que envolve a cura da surdez.

Como está funcionando a pesquisa da cura para a surdez?

A mídia informa que já foram realizados testes em mais de 200 pacientes. E outras 124 pessoas estão sendo recrutadas para uma segunda fase de testes clínicos, cujos resultados preliminares estarão disponíveis no início de 2023.

O processo é relativamente simples, se comparado com outros estudos sobre terapias regenerativas já desenvolvidas ao redor do mundo.  Isso acontece porque no caso das células ciliadas não existe a necessidade de reprogramar as células do paciente em laboratório, para reinseri-las posteriormente no corpo. O medicamento será aplicado diretamente no paciente.

O que permitiu esse conhecimento científico foi que, em estudos preliminares, os cientistas descobriram que existem cerca de 15.000 células ciliadas em cada ouvido humano, no ato do nascimento.  Essas células morrem com o passar do tempo. E infelizmente não se regeneram. A boa notícia é que uma equipe de pesquisadores do MIT conduziram experimentos que resultaram na transformação dessas células progenitoras, em milhares de células ciliadas. Posteriormente as moléculas responsáveis por esse processo de transformação foram testadas, em forma de medicamento. Assim elas foram injetadas no ouvido, promovendo a desejada regeneração das células ciliadas que permitem a audição. Isso tudo acontece in loco e de forma segura.

O que falta saber sobre o assunto.

Tendo concluído com sucesso os experimentos, o instituto tornou pública a sua pesquisa. Ele então noticiou que o novo tratamento melhorou a audição de pessoas que se submeteram voluntariamente aos testes. Existe agora uma expectativa bem razoável para a comunidade surda. Para aqueles que desejarem voltar a escutar.

Resta saber, porém, se os resultados obtidos contemplarão todos os surdos. Se estarão incluídos os surdos de nascença ou somente aqueles que nasceram ouvintes e, por algum motivo, perderam a audição ao longo da vida. Seja pela exposição a ruídos ou pelo uso se medicamentos, como alguns antibióticos e quimioterapias. Mas eu creio firmemente que é muito mais que isso, já que estamos falando de células tronco.

Óbvio que os testes precisam se replicados e ampliados para confirmação do resultado já obtido. E para responder às demais questões que surgirão.  Mas já acende uma luz no fim do túnel, uma esperança para aqueles que vivem em um mundo silencioso. Como vimos, são muitos.

A Signumweb apoia pesquisas relevantes como essa. E torce para que os resultados se confirmem o mais breve possível. 

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